Espaço destinado ao registro das percepções críticas de um cidadão brasileiro sobre política, comunicação, comportamento e demais assuntos pertinentes à sociedade contemporânea.
Uma visão técnica do ponto de vista do marketing e apaixonada do ponto de vista humano. Leia, critique e replique à vontade!

domingo, 16 de dezembro de 2012

Legislando em causa própria.



Temos hoje como nossos representantes em nível federal, 513 deputados e 81 senadores. Nas esferas estaduais e municipais temos um sem número de legisladores que assumiram a tarefa de representar o povo brasileiro e lhe defender os direitos. Decidi não enumerar nossos executivos, mas acrescentem mais algumas centenas.
Digamos que cada brasileiro tenha pelo menos 7 representantes diretos, escolhidos por si em meio às urnas, que devem lhe proteger e cuidar, a fim de que este cidadão possa produzir e contribuir para a manutenção do sistema. Aparentemente uma conta excelente, pois teria cada brasileiro pelo menos sete pessoas gabaritadas e interessadas no seu bem estar, atuando diuturnamente para lhe proporcionar todos os meios necessários para que tenha uma vida boa, com saúde, educação, segurança, cultura e lazer à disposição.
O fato real e assustador é que verdadeiramente a conta não fecha. Podemos afirmar que, dessa quase dezena de pessoas, apenas um ou dois estão realmente engajados na função acima comentada. Certamente algum leitor deve estar discordando agora, e falando que não há um se quer. Sou mais crédulo!
Por questões partidárias na maioria das vezes, ou de interesses externos pertinentes a grandes grupos econômicos, o que podemos acompanhar diariamente é uma manifestação inequívoca da legislação em causa própria. Nas “casas do povo”, onde o povo não participa da cozinha, da sala, do cafezinho, os expedientes são carregados de jogatinas políticas, de entraves em processos de interesse público, perpetrados por partidos e partidários que apenas objetivam o ganho de poder, e em vários casos de dinheiro.
Acompanhando os 140 caracteres expressos pelo Dep. Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) em uma rede social, e observando as informações repassadas por órgãos de imprensa, pude criar esta tese: Não há o bem comum, quando o bem partidário não é alcançado! Cito o caso relatado pelo deputado na noite de quarta feira (12/12) onde a pauta sobre a redução nas contas de energia foi derrubada, após horas e horas de acalorados debates, e que por fim, não geraram benefícios para o povo.
Os jornais noticiam cotidianamente os embates parlamentares, os esquemas para derrubar ou bloquear pautas que deveriam ser votadas em datas previstas. Temos ciência de que os acórdãos entre partidos não primam pelo bem popular, mas pelos interesses representados por siglas e cifras que dominam a política nacional. É deveras frustrante pensar que se aprovam rápido e facilmente proposições para aumento dos próprios salários, dos benefícios infindáveis e da contratação sem concurso de comissionados que atenderão seus comissionadores, mas que para melhorar a saúde, a segurança, o meio ambiente ou qualquer outra coisa que beneficiará milhões de pessoas, o rito é outro, lento e cheio de curvas, becos e ralos por onde escoam o dinheiro pago pelos contribuintes.
Contrassensualmente encontramos em quem deveria lutar pelo bem do povo, o comportamento mesquinho e egoísta dos que trabalham movidos por interesses próprios na escalada do poder. E isso tudo já não ocorre às escondidas. Jornais, revistas e, agora internet, proporcionam um acesso aos julgamentos e votações das câmaras e plenários, capazes de manter em constante desgosto o mais utópico eleitor. Temos olhos lá dentro, ou pelo menos nas partes que ainda nos são permitidas enxergar. Vemos enuviado, mas podemos olhar as caras demagogas e dissimuladas dos que blasfemam através de microfones em tribunas.
Acredito que se não houver um acompanhamento mais próximo pelo povo, um engajamento orquestrado em movimentos de cobrança e pressão sobre os eleitos, não poderemos jamais acreditar em uma sociedade melhor e mais igualitária. Devemos utilizar os mecanismos de comunicação de maneira efetiva, envolvendo o máximo de pessoas possível, trazendo luz às lúgubres sessões dos plenários, para evitar que o mal continue sobressaindo enquanto os mandatos são renovados a cada pleito.
Faço votos de que cada vez mais os “um ou dois” que ainda são dignos de ostentar os mandatos que o povo lhes atribuiu entendam a necessidade de serem transparentes e envolventes para terem ao seu lado a única força capaz de transformar este país, a mobilização popular.
Marcos Marinho
Professor e consultor político
Membro da Ass. Brasileira de Consultores Políticos – ABCOP
Twitter: @mmarinhomkt
e-mail: marcos@mmarinhomkt.com.br

domingo, 9 de dezembro de 2012

Brasileiro, o eterno vira-lata?



Autoestima. É disso que fala este texto. Não simplesmente em nível pessoal, mas em âmbito de sociedade, de povo, do povo brasileiro.
Somos um povo complexo, permeado por miscigenações culturais acima das genéticas. Somos na verdade vários povos em um, que desenvolveram ritos, hábitos, comportamentos e visões que nos conduzem por caminhos destoantes, mas que nos trouxeram até aqui e nos levarão além.
A razão deste texto é trabalhar um efeito colateral de nossa intrincada e complexa formação social, a “síndrome de vira-lata”. Aqui parafraseando o grande Nelson Rodrigues e seu complexo, direcionado ao campo futebolístico.  Vou bastante além da referência, e trago nosso debate para um viés onde nos veremos, nós, povo brasileiro, como os cães vira-latas, que almejam e se regozijam com nada mais do que comida, abrigo e afagos.
Para consubstanciar este texto me obrigo a mencionar nosso cenário político atual. Vivemos há 10 anos sob uma estrela que ascendeu aos céus do poder atuando de forma objetivamente emocional nas carências sociais. Ignorando uma herança positiva, e não digo isso por apreço partidário, o governo “pseudo-trabalhador, que nos direciona jazem dois mandatos e meio, atua de forma evidenciada com medidas que ressaltam nossa já citada síndrome.
Mantendo o foco no assistencialismo, dando comida e abrigo aos necessitados, afagando as cabeças eleitoras com artifícios midiáticos e festivos, e cooptando ou eliminando possíveis focos de oposição, nossos governantes tem feito sua parte para manter seu plano de poder - o qual só prevalece enquanto sua base for calcada na subserviência intelectual e eleitoral. Se, por alguns minutos, nossos olhos se descortinarem e superarem a névoa artificial que circula as “divindades” presidenciais e ex-presidenciais veremos que nossa situação é periclitante.
Como bons vira-latas, vivemos no aguardo dos planos miraculosos que nos alimentarão, das bolsas e projetos que nos manterão à sombra do autodesenvolvimento e da conquista da ascensão. Pois todo projeto que nos é posto é, de fato, limitador. Não vemos atrelado ao assistencialismo a colocação ou recolocação profissional, e a formação efetiva aliada ao encaminhamento para o mercado de trabalho, que posso lhes afiançar estar carente de mão-de-obra.
O que me motivou a escrever este texto foram também os últimos acontecimentos midiatizados, servindo de estopim para detonar algo que já me era latente. Pude acompanhar na mídia impressa e digital, após o último escândalo envolvendo o eterno presidente Luiz Inácio Lula da Silva, várias manifestações de apreço e apoio à sua irretocável figura. Algumas pessoas se armando de toda indignação e ferocidade, e saindo em defesa da honra do ex-presidente, novamente acusando tudo e todos, talvez até a bíblia, de estarem errados ao citar o nome do ex-metalúrgico, envolvendo-o em mais um escândalo do qual ele nada sabia.
Trago a reflexão sobre a “síndrome de vira-lata” porque percebo neste tipo de manifestação, onde o objeto de devoção se torna impossível de ser arrolado em imundas atitudes humanas como corrupção, traição, entre outras tantas malfeitorias, uma aproximação do radicalismo ideológico/religioso que levou o mundo para quase todas as guerras e genocídios das quais temos notícias. Não acredito que chega a tanto, mas reforço minha tese observando a forma como essas pessoas reagem, e o quanto são gratas e idolatram alguém que nada fez se não sua obrigação!
Exatamente, nenhum político que cumpra com suas obrigações pertinentes ao cargo ocupado, seja honesto, e neste caso falo dos que realmente são honestos, atue com diligência, cuide dos necessitados e promova o crescimento de sua cidade, estado ou país está fazendo algo que não lhe coubesse ao assumir a cadeira. Essa síndrome de vira-lata é que nos faz aceitar todas as desgraças proporcionadas pelos atores políticos, desde que tenhamos comida, abrigo e afago. Nossa visão do serviço público e da atuação dos políticos nas gestões públicas é tão distorcida, que já nos acostumamos com a sujeira e as barbaridades cometidas por eles, e quando sentimos a falsa impressão de que este ou aquele político nos está fazendo o bem, e nisso sendo diferente dos que entendemos como “a regra”, passamos a endeusá-lo e considerá-lo acima do bem e do mal já que, afinal, está nos permitindo saciar algumas demandas.
Caro leitor, político é funcionário público pago com seu dinheiro. Ser honesto e digno não é qualidade, mas sim requisito básico para quem se propõe a gerir ou legislar pelo povo. Não podemos, simplesmente por termos recebido alguns benefícios deste ou daquele político, aceitar tudo de errado que por ventura ele tenha realizado ou assentido com sua omissão.
Não é possível que, após tantos escândalos, parte de nossa população ainda atue como certos “fiéis” que não conseguem enxergar o homem por baixo da faixa (e olha que nem existe mais esta faixa!) e ainda desconsiderem a possibilidade de investigar este ou aquele pretenso salvador da pátria. Não pré-julgo ninguém, apenas manifesto meu desejo de que os fatos sejam averiguados, independente de quem deverá ser inquerido. Não podemos continuar aceitando pessoas que se julgam acima da lei, e mais ainda nós não podemos julgá-las acima da lei.
Toda benfeitoria que qualquer ator político tenha realizado durante seu mandato, toda conduta ilibada e livre de sujeiras e tramoias não deve ser exaltada como a coisa mais incomum, pois deveriam ser pré-requisitos para estas pessoas estarem onde estão. Sei que neste momento alguns leitores estão pensando: “mas não é assim que as coisas funcionam!”. E nunca será, se continuarmos como os vira-latas que já nos consideram, e continuarmos revirando o lixo apenas atrás de comida.

Marcos Marinho
Professor e consultor político
Membro da Ass. Brasileira de Consultores Políticos – ABCOP
Twitter: @mmarinhomkt
Contato: marcos@mmarinhomkt.com.br

domingo, 2 de dezembro de 2012

Política em tempos internet – Caiu na rede é da rede!


A imagem dos políticos brasileiros está bastante ruim aos olhos da sociedade. Com sucessões de escândalos, denúncias, investigações, “CPI’s pizzaiolas” e um eterno “eu não sabia de nada”, nossos representantes enfrentam um cenário cada vez pior em sua luta pela manutenção do capital político.
Em uma avaliação desapegada de exatidões estatísticas, podemos considerar este ano de 2012 como sendo o mais recheado de momentos polêmicos no ambiente da política. E olha que não tivemos um pleito tão conturbado como alguns de outrora! Então o que nos resta é conjecturar que, neste ano, houve um aumento expressivo de maracutaias e falcatruas - certamente a oposição aposta na amplificação desta imagem para desconstruir o atual governo -, ou que estamos vendo uma atuação mais apropriada da mídia e dos órgãos de investigação e justiça, que está colocando luz sobre trevas que dominam grandes porções dos bastidores políticos de nosso país há dezenas de anos.
Acredito que todo o lixo que está emergindo dos bastidores do poder jazia ali acumulado há vários mandatos, e fora alimentado por muitas siglas que hoje posam de paladinos da moral. Também acredito que evocar a possível benção da ignorância não diminui a responsabilidade dos líderes que se dizem traídos por lobos em pele de cordeiro. Todos sabemos que não existem cordeiros neste pasto! Soa-me como o cúmulo da incompetência, e por isso teria receio de usar deste expediente, um proeminente líder político, aclamado como estrela maior do seu partido, a cada nova acusação contra seus liderados, posar de vestal e eterno traído.
Olhando toda essa profusão de denúncias, manifestações, acusações, retaliações e condenações impelidas aos estadistas nacionais, se fosse um deles sentiria medo. Na verdade sentiria, se na pele deles, um extremo pavor da tecnologia! Digo isso, pois considero que a acessibilização aos meios de comunicação, em especial, à internet, trouxe consigo uma ameaça à qual nossos políticos não estavam acostumados: a manifestação imediata da “opinião pública”. Como já escreveu meu grande mestre Carlos Manhanelli: “Sabemos que os meios de comunicação afetam profundamente as atitudes da comunidade, as estruturas políticas e o estado psicológico de todo um país, pois a alfabetização não é pré-requisito para assimilação de conhecimentos provenientes do mundo eletrônico.”
Se, como muitos acreditam, os governos que se sucederam não tiveram interesse em formar uma população pensante, relegando a educação ao quinto plano na escala de prioridades, por medo de gestar uma sociedade com um nível de crítica e articulação difícil de ser manipulada, os meios de comunicação lhes deram uma rasteira. Sem desconsiderar, como já relatei em artigos anteriores, a manipulação editorial das informações, tenho que admitir que a ação coordenada entre governos e mercado para transformar nossa sociedade em zumbis consumidores trouxe em si um efeito deveras colateral. Mesmo não estimulando uma formação educacional crítica e questionadora, dentro de nossa sociedade sempre existiram os “subversivos intelectuais”, que disseminam suas análises políticas, fazem duras críticas ao sistema e questionam tudo e todos, mas que até então ficavam reservados a guetos elitistas ou esquerdistas, se é que ainda faz sentido subdividir as ideologias políticas.
As manifestações de apoio e, principalmente, descontentamento são cada vez maiores e mais articuladas através das redes sociais. Vivemos um momento no mundo das comunicações onde as pautas não são apenas geradas em escritórios burocratas ou gabinetes parlamentares. Com a acessibilidade tecnológica aos meios de divulgação de textos, sons e imagens, todo vivente que possui um simples smartphone passa a ser produtor de conteúdo, o que, abstraindo irresponsabilidades e banalidades, passa a ter uma relevância crescente nas editorias jornalísticas e gabinetes políticos.
Com a velocidade de um click, milhões de mensagens são compartilhadas nas ondas da web. Agindo de forma viral, milhares de conteúdos se espalham pelo mundo e ecoam algumas vezes de forma extremamente impactante nas sociedades. Uma declaração impensada, uma medida impopular, uma ação destemperada ou uma simples medida de contenção de despesas municipais, podem tomar proporções capazes de fazer ruir impérios. A imagem construída em décadas de exposição midiática convencional, de empresas e figuras públicas como artistas e principalmente políticos, se percebe ameaçada em questão de segundos quando de forma negativa vai figurar entre os TT’s (Trending Topics) do twitter.
Agindo de modo desenfreado e de impossível contenção, pois o que cai na rede pertence à rede, as mensagens de retaliação e repúdio a figuras políticas e suas declarações funcionam como uma colônia de cupins que se instala em um grande e imponente móvel de luxo, passando a devorá-lo por dentro e deixando, em pouco tempo, apenas a casca que certamente ruirá.
Nosso políticos não estão preparados para enfrentar as novas pautas noticiadas pelos milhões de novos “editores” cibernéticos, assim como as empresas também não estão, e por isso muitos ainda tentam se manter distantes das redes de www. Grande engano, pois, definitivamente, mesmo não estando nas redes você estará! O nível de atenção ao que se diz, ou ao que dizem que foi dito por figuras públicas, bem como a monitoração da sua imagem virtual, deve ser ocupação primeira de assessorias e assistentes parlamentares.
Muitas mudanças ainda ocorrerão no mundo world wide web, muitas mudanças culturais e de hábitos permearão nossa sociedade, muitas posturas e utilizações deverão ser revistas sobre este tema. O Marco Civil Regulatório ( PL 2126/2011), aguarda considerações e votações para ser implementado, fato que deve ser observado com muito critério por toda sociedade, a fim de evitar cesuras e parametrizar seguranças para seus usuários.
Finalizando, é sine qua non ao desenvolvimento de nossa sociedade que a informação circule de maneira livre entre todos. É extremamente importante a manifestação de opiniões, a colocação de luz sobre os sombrios segredos dos bastidores da política nacional, e o acompanhamento do desenrolar dos escândalos para que estes não se recolham aos porões do esquecimento. Acredito na democratização da geração de conteúdo, na internet como ferramenta de mobilização e contestação, nos meios digitais como um modo de educar nosso povo e torná-lo mais engajado nas lutas por seus direitos.

Marcos Marinho
Professor e consultor político
Twitter: @mmarinhomkt
Contato: marcos@mmarinhomkt.com.br

domingo, 25 de novembro de 2012

Nunca saberemos a verdade!



Dois mil e doze tem sido um ano atribulado para a política nacional. Estamos tendo, até onde me lembro, o ano mais repleto de escândalos, julgamentos, dissimulações, condenações importantes, embates e debates políticos dos últimos tempos.
Muita gente se molhou nas cachoeiras de notícias “bombásticas” que nos foi vertida pela mídia. Muita gente se surpreendeu com os resultados de julgamentos que, num primeiro momento, pareciam infindáveis e fadados ao nada. Também muita gente acompanhou “just in time” todas as sessões da CPMI do Cachoeira e dos julgamentos do STF, tentando traçar suas conjecturas sobre o futuro político da nação. Este fato apresentou uma forma extremamente nova de audiência, demonstrou que uma parte da população deseja entender mais sobre os anais políticos, sobre a atuação dos parlamentares quando julgam seus pares, e do Supremo, corte máxima de nosso país, quando se põe a fazer justiça sobre todos.
Tivemos momentos de grande excitação popular, quando a suprema corte condenou figuras poderosas de nossa sociedade. Tivemos momentos de desânimo, quando percebemos que a CPMI do Cachoeira iria acabar, como nosso povo já está acostumado, em pizza. Ocorreu até um pleito durante este ano, onde as cidades brasileiras tiveram a oportunidade de mandar um recado para os partidos políticos que dominam a cena atual. Algumas cidades se valeram do direito do voto para mudar seus gestores, buscando novas ideias e quebrando as grades opressoras e vilipendiadoras do continuísmo ditado pelos coronéis. Outras se mantiveram na inércia.
Fomos durante este ano uma audiência fiel, cativa, para as versões editadas que nos foram postas à mesa pelos meios de comunicação. Fomos adicionados de uma lépida sensação de liberdade de expressão e poder de participação, ao atuarmos através das redes sociais, colocando nossa indignação em 140 caracteres, fotos e desabafos postados, compartilhados e curtidos. Engrossamos o coro por justiça, que ecoou pelas câmaras e tribunais, reprovamos aumentos de salários, estimulamos condenações e absolvemos quem consideramos inocente.
Questiono o nível de profundidade no conhecimento das causas que nos motivaram a acompanhar e, indo além, manifestar nossas indignações quanto aos atores que estrelaram os folhetins político/policiais de 2012. Trago este questionamento por entender que somos, se não em todo, na maior parte do tempo guiados pelas edições das empresas de comunicação, que sabidamente seguem explícitas tendências editoriais.
Acima das versões editadas pela mídia, temos os partidos e personalidades políticas que articulam e desarticulam a fim de apresentar verdades que lhes favoreçam. Num eterno jogo de esconde-esconde, os partidos se valem de tentativas descaradas de manipulação da opinião pública. Nós, que formamos a audiência para os espetáculos de pirotecnia política, assistimos ao jogo de ataque e defesa protagonizado por PT e PSDB, onde um ataca com o “mensalão” e o outro contra-ataca com a “CPMI do Cachoeira”, e formamos “nossa opinião” através de fragmentos que se acumulam em nosso subconsciente, nos fazendo coadunar ou repelir algumas “verdades” que nos são apresentadas.
Intento me manter sóbrio frente ao mar de verdades e mentiras que buscam conquistar minha opinião. Procuro ter acesso a vários vieses do mesmo fato, tentando separar a versão que mais me convença de sua veracidade. Infelizmente muitas vezes não tenho acesso a outros pontos de vista, não tenho acesso a outras possíveis “verdades”, pois os envolvidos são hábeis em deletar os registros que por ventura lhes desconstruam os interesses.
Provavelmente nós, meros mortais, jamais teremos acesso à verdade definitiva, à raiz dos fatos, aos nomes e sobrenomes dos culpados pelas mazelas que nos roubam mais do que recursos, roubam nossa dignidade, nosso orgulho de ser brasileiros. O importante é não aceitarmos a manipulação de quem quer que seja, não continuarmos sendo massa de manobra nas mãos de oposição e situação, nesta guerra que em nada prima pelo bem do povo.
Para finalizar, envio um recado aos relatores, revisores, e demais atores da mídia político-escandalosa que direciona as expectativas de meus concidadãos: os tempos estão mudando, a tecnologia está alterando os caminhos do poder, o domínio da informação e seus meios de edição estão sendo confrontados por novos geradores de conteúdo. A partir deste ponto, tudo pode ser diferente, e tudo o será, pois sempre existirão os questionadores, os insatisfeitos e os destemidos que constroem suas lentes próprias, e não se satisfazem em apenas dizer “amém”!
Marcos Marinho
Professor e consultor político
twitter: @mmarinhomkt
marcos@mmarinhomkt.com.br

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bom dia Brasil

Hoje acordei para dar bom dia aos desgraçados,
que se contorceram de frio sob seus jornais, nas esquinas do paraíso.

Quero partilhar o desjejum dos miseráveis,
com suas crianças doentes e raquíticas, que lambem os beiços frente as vidraças das padarias.

Aguardarei ansioso junto aos sedentos,
as sobras dos banquetes que fartarão os ricos e jazerão nas lixeiras, fast food dos famintos.

Perambulando sem destino,
percorrerei léguas de sofrimento e incertezas, do futuro que nos espera.

Contando com a benevolência dos homens,
entenderei que o ser humano vale menos do que animais encoleirados.

Verei meninos sonhando em serem cães,
que tem casa, comida e carinho de suas donas. Cães que ganham festas e coleiras de ouro.

Hoje não acordei para acordar a humanidade,
não acordei para salvar o mundo, só acordei para dizer bom dia e voltar a dormir,
e sonhar sem dor.



Marcos Marinho
twitter: @mmarinhomkt

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Qual a cor da sua consciência?




Hoje, 20 de novembro, é considerado o “Dia da consciência negra”, data escolhida em homenagem ao herói negro Zumbi dos Palmares, que foi morto nesta data, em 1695. Sinceramente penso que a homenagem, devidamente merecida, deveria batizar a data com o nome do herói, reconhecendo sua luta pela liberdade de seu povo, e não pela cor de sua pele.
Não deveria ser maior o ato de lutar por liberdade do que a cor da pele de seus lutadores? Não seria mais igualitário se comemorássemos e enaltecêssemos os bravos feitos dos guerreiros por sua coragem, ao invés de rotular sua demanda? A luta de Zumbi não era pelo direito de ser negro, era pelo direito de ser livre, e isso já deveria ser reconhecido e respeitado. Homossexuais não lutam, e são massacrados, pelo direito de serem homossexuais, mas pelo direito de serem respeitados. Os pobres não lutam pelo direito de serem pobres, mas pelo direito à vida, às condições básicas de sobrevivência, por direitos que lhes são natos, não por serem pobres, negros ou homossexuais, mas por serem brasileiros.
Não concordo em atribuir cor para a consciência humana. Acredito que enquanto precisarmos de cor para atestar nossa consciência, estaremos sinalizando que não a temos! Afirmo que devemos educar nossas crianças para que enxerguem além da epiderme colorida, além da genitália, além das roupas e dogmas religiosos. Devemos educá-las para serem capazes de enxergar o caráter, a conduta, o humano residente em cada Ser, pois assim saberemos que esta criança será capaz de desenvolver uma consciência que lhe parametrize o certo e o errado, independente das diferenças parametrizadas pelo espelho.
Marcos Marinho
Professor e Consultor de marketing
twitter: @mmarinhomkt
marcos@mmarinhomkt.com.br

domingo, 18 de novembro de 2012

LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN



Nesta última semana tivemos uma pesquisa, divulgada em veículos de comunicação impressos e digitais, abordando a percepção da classe média brasileira sobre a democracia. Sob o título: “A classe média, o Estado e a Democracia”, a pesquisa entregue à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência pelo Instituto Data Popular, de São Paulo, nos trouxe um dado extremamente preocupante - 51% dos pesquisados concordaram com a frase: “Prefiro uma ditadura competente a uma democracia incompetente”.
Invariavelmente surgem questionamentos do tipo: esse pessoal realmente sabe do que está falando? Eles efetivamente conhecem um sistema ditatorial? Viveram na época da ditadura?
É interessante pensar que por desconhecimento ou, talvez por desespero, as pessoas concordem em ceder sua liberdade em troca do saneamento de suas demandas. De qualquer forma esta pesquisa sinaliza, a meu ver, algumas possibilidades bastante desconcertantes para os atuais líderes políticos de nosso país. Se mais da metade da classe média cogita apoiar um regime ditatorial, caso suas necessidades básicas sejam atendidas, suplantando essa atual “democracia” representada pelos políticos e seus partidos - exatamente por estes não solucionarem os problemas sociais e, pior, apresentar à população uma imagem extremamente negativa - podemos entender que o grau de decepção dos eleitores com seus escolhidos e com o próprio sistema está chegando a níveis críticos!
Outra possibilidade, teórica, que me chama a atenção é a confirmação de que Maquiavel estava certo, e o povo prefere se submeter a um líder que lhe castre alguns direitos, mas lhe proteja, alimente e entretenha, do que a líderes que lhes deixem livres, à própria sorte, e ainda lhes cobre taxas, impostos e obediência. Percebo, já há algum tempo, que existe uma relação feudal consentida entre o povo e seus governantes. Se o povo tem suas necessidades básicas atendidas, sensação de segurança, e recebe “carinho” do seu governante, tolera o domínio e possíveis arbitrariedades e desvios de conduta de seu dominador. Ao ter seus interesses atendidos, lhes é coerente fechar os olhos para fatos que, aparentemente, não lhes afetam diretamente, como desvios de verba e articulações escusas entre partidos, políticos e empresas, geralmente amenizados por um “isso todos fazem!”.
Se realmente o que a pesquisa mostra é que 51% da classe média brasileira, hoje nossa maior parcela da população, aceitaria uma ditadura em troca de gestão de serviços, podemos avaliar que cada entrevistado ignorou sua parcela de liberdade, talvez por não exercê-la na plenitude, ou por, já de maneira natural, não se manifestar contra o sistema, desconsiderando como a suspensão de direitos poderia impactar na vida de seus concidadãos, e decidiu entrar de vez na roda de ratos que o sistema lhe proporciona: comida, abrigo e trabalho, sem horizonte e possibilidades para se preocupar.
Não existe melhor sistema político do que uma democracia verdadeira, plena, onde todos podem emitir sua opinião, participar das decisões e opinar, ainda que somente pelo voto, sobre as questões que envolvem sua vida. A culpa não é do sistema, pois este simplesmente é operado pelos homens. O grande problema é que atualmente, os que se dispuseram a governar, em sua maioria, o fizeram pelo bem próprio e não comum. Grande parte dos homens e mulheres que assumiram a tarefa democrática de representar o povo se utiliza dos meios democráticos de forma deturpada, para exercer o papel da corte nos períodos feudais, onde tudo “era para o rei e os amigos do rei, e para o povo apenas as expensas”. No entanto, por esse mesmo regime democrático, nós, o povo, podemos, mas não fazemos, nos manifestar, criticar, substituir, expulsar e depor quem acharmos inadequado na função que ocupa, e não o fazemos porque não nos dispomos a acompanhar o processo, a ir para as ruas, a romper com a inércia ditada pelo comodismo subserviente dos que aceitam viver em feudos que lhes garanta a subsistência, o pão e o circo.
Não me falem em ditadura! Não me digam que preferem um sistema coercitivo e opressor em troca de meia dúzia de benefícios. Essa afirmação é tão estúpida que chega a doer os ouvidos!
Já que estão dispostos a entregar suas vidas nas mãos de homens que decidirão seus passos, que os farão cumprir regras e normas às quais, atualmente, os senhores e senhoras não cumprem, em sua maioria, simplesmente por não terem cacetetes os ameaçando, policiais diuturnamente reprimindo suas atitudes, mecanismos opressores que os obriguem a cumprir seu papel de “cidadão”, o façam, mas antes avaliem se conseguirão seguir o padrão militar que os espera.
A corrupção acaba quando todos a expulsarem de suas vidas, a má gestão acabará quando todos se dispuserem a exigir melhor qualidade nos serviços, os maus políticos sairão quando todos decidirem parar de eleger e reeleger bandidos, o país melhorará quando todos decidirem serem cidadãos, por decisão e não por coerção.

Marcos Marinho
Twitter: @mmarinhomkt
www.mmarinhomkt.com.br

domingo, 4 de novembro de 2012

Manipulação em 220 Volts



Estamos vivenciando nestes últimos dias algumas experiências não muito agradáveis proporcionadas pelas forças da natureza. A onda de calor que assola nossa cidade, e também o restante do país, gerou milhares de reclamações nas redes sociais e nas conversas de rua, além de um certo desânimo, muito cansaço, e muito, muito consumo de energia elétrica por parte dos condicionadores de ar, ventiladores e demais paliativos contra o desconforto do aumento da temperatura. Preciso citar também outro manifesto da natureza, o Furacão Sandy, que passou pelas Américas: Central e do Norte, causando muitos estragos e ceifando vidas.
Quero pontuar, aqui, nossa grande parcela de responsabilidade principalmente sobre o aumento da temperatura. É fato que o homem destruiu o meio ambiente, desmatou, consumiu, depredou, sujou, modificou e não se preocupou com as consequências disto por séculos. E seguimos poluindo e alterando tudo o que pode se entrepor ao nosso caminho para a satisfação dos desejos humanos pelo conforto. Digo isso porque não acredito que precisaríamos, de fato, fazer tudo isso para atender às necessidades humanas.
Partindo destas análises sobre nosso comportamento em relação à natureza e os impactos que tem nos causado, e expandindo minhas percepções após uma excelente conversa com um novo, e sábio, amigo, passei a avaliar que juntamente ao processo de evolução tecnológica que batalhamos tanto para promover, proporcionamos uma excelente oportunidade aos poderosos de nossa sociedade de nos controlar e dominar. Tornamo-nos dependentes de artefatos e traquitanas elétricas e eletrônicas, convencidos de terem sido criados simplesmente para nos proporcionar qualidade de vida, sem perceber que, voluntariamente, estávamos entregando nossas vidas em mãos invisíveis, porém manipuladoras.
Quantos eletrodomésticos e artigos eletrônicos existem em sua casa? No seu local de trabalho? Na sua escola ou faculdade? Quantos destes artigos te livraram da dependência do esforço físico em prol da velocidade e praticidade? Quantos destes artigos te fizeram esquecer como era possível executar algumas tarefas antes de suas redentoras invenções? Quantas destas ferramentas de uso cotidiano, que substituíram em alguns casos outras pessoas ou o seu próprio engajamento na execução do trabalho por ela realizado, o fazem ficar apreensivo e até desesperado quando falta energia elétrica?
É meu dileto leitor, esse é o grande ponto, essa é a chave da dominação, a energia elétrica! Digo a elétrica porque as outras fontes de energia ainda são incipientes dentro da nossa sociedade, sem contar a fóssil que já não ocupa mais nossas residências, senão as garagens. Pode soar extremista de minha parte, chegando até parecer “conspiracional” demais, mas percebi que nossa intrínseca relação com a energia elétrica gerou uma dependência tão forte que basta ficarmos 30 minutos sem ela que o mundo pára e o caos se instala. Temos tido muitas oportunidades para confrontarmos essa afirmação, já que nossa CELG tem nos presenteado com apagões quase diários, e já fomos avisados de que esses foram apenas o começo, pois as chuvas, fenômeno preferido das desculpas dadas pela empresa, ainda nem começaram.
Façamos uma análise mais ampla: antigamente as casas eram térreas, as pessoas tinham poucos eletrodomésticos, consumiam menos eletricidade, despendiam tempo e energia “física” para executar as tarefas que faziam “o mundo girar”, e o mundo não parava. Atualmente as pessoas moram em prédios enormes e dependem de elevadores, possuem um sem número de eletroeletrônicos que fazem quase tudo por elas, sem esforço e com uma enorme economia de tempo, mas que só funcionam ligados à rede elétrica. As cidades se automatizaram, e realizam suas funções de atendimento, gestão, controle de tráfego e serviços via energia elétrica, as empresas então, nem se fala, todas extremamente dependentes desta fabulosa fonte de energia. Porém, esquecemo-nos de uma coisa: o controle desta fonte vital de energia não está concentrado nas mãos do povo, mas sim nas garras de poucos poderosos que não demonstram muito interesse em assegurar a manutenção deste sistema, caso suas aspirações não se confirmem.
Ao escutar várias notícias sobre a precariedade de nosso sistema de distribuição de energia, a falta de manutenção dos terminais geradores e cabeamentos, a incompatibilidade entre geração e consumo desta energia por nossa população, fico questionando se esta relação não se assemelha em algum nível à relação protagonizada pelos traficantes e seus usuários, onde um vicia o outro em seu produto e depois o manipula e extorque até este sucumbir de vez aos seus desejos. Pode parecer muito forte esta alegoria, mas a usei para referendar a fragilidade humana frente suas dependências, o que nos torna facilmente manobráveis, intimidáveis e corruptíveis.
Não sou alheio às tecnologias, nem tão pouco adepto de teorias de conspiração, mas penso ser importante que reflitamos sobre as formas de dominação ás quais somos expostos, muitas vezes, sem perceber. Não faço apologia ao desaparelhamento tecnológico ou a ruptura com a tecnologia, apenas deixo aqui minha provocação sobre como estamos sendo conduzidos, ameaçados e impelidos a escolhas, sem que correlacionemos alguns fatos e identifiquemos possíveis estratégias para nos tornar, a cada dia, mais dependentes e manipuláveis por pseudos salvadores da pátria.
Existem várias formas para geração de energia que não agridem o meio ambiente e podem ser geradas de maneira autônoma, sem depender de grandes centrais que as distribuam. Podemos gerar a energia consumida por nossas unidades domiciliares de formas limpas, usando o vento, o sol, o processamento de resíduos (biomassa), o trabalho físico, entre outras que dependem de oportunidades geográficas e naturais, mas que não necessariamente dependem de gigantescas estruturas governamentais ou empresariais. A questão é: os governos estão interessados em divulgar isto? Estão interessados em financiar isto? Querem perder o controle sobre o modo de vida de sua população? Querem perder a absurda fonte de renda e poder gerada por suas centrais energéticas?
Somos dependentes dos interesses de poucos, penamos sob a articulação política e econômica de uma minoria que domina em nível mundial, os meios para manter as cidades funcionando. Acredito que temos potencial para sermos verdadeiramente livres dos monopólios que regem nossas vidas, não sei, na verdade, é se temos habilidade relacional e colaborativa suficientes, para nos ajudarmos uns aos outros a romper com este sistema.
Marcos Marinho
Professor e Consultor de Marketing.
twitter: @mmarinhomkt

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Homem, lobo mau do homem.




Thomas Hobbes, filósofo inglês da Idade Média, conhecido como “contratualista” por defender que a manutenção da sociedade, do Estado, depende da celebração de contratos que organizem e parametrizem as ações dos homens em suas relações, disse que: “o homem é o lobo do homem.” Neste texto serei obrigado a fazer uma adaptação deste pensamento, pois acredito que em nosso contexto, no século XXI, o Homem assumiu o papel de “Lobo dos Lobos”!
Hobbes ressaltava a equidade dos homens em relação aos seus desejos, falava não só das necessidades básicas, mas da visão que cada um fazia de si mesmo, se achando tão especial e único, que considerava ter maior merecimento do que o outro. Ao nos vermos como iguais, ignorando as diferenças fenotípicas que podem agregar maior vantagem ou desvantagem física a este ou aquele ser, pois estas podem ser subjugadas pela inteligência, estratégia e cooperação entre os mais fracos, nos deparamos com uma situação perturbadora: “Como administrar uma contenda onde todos possuem desejos comuns e legítimos, mas nenhum quer ceder à primazia do outro e não se predispõe a contribuir para o saneamento dos desejos de alguém antes do seu próprio?” Realmente o homem é o único capaz de devorar os sonhos do próprio homem!
Compartilho então da visão de Hobbes, e não acredito que os homens, se não por força de “contratos”, que podemos entender como leis, regras e hierarquias, conseguiria se manter em sociedade de forma democrática, produtiva e harmônica. Sendo assim coloco por terra qualquer levante anarquista que por ventura ainda rasteje nos porões de décadas passadas. Também digo do socialismo, que trago ao texto mais como uma filosofia marxista do que propriamente um regime político, que necessita de leis e normas, além de uma hierarquia clara que organize a imensa base de “iguais”, formada abaixo das casas gestoras. Sobre o capitalismo acredito ser desnecessário tecer comentários, pois já se evidenciam pelo texto acima.
Sendo assim entendo que não poderíamos viver e conviver em um Estado sem leis, sem gestão. Temos então, necessariamente, algumas “coleiras” que impõem limites e controles aos lobos que andam nas ruas de nossas cidades. Agora vem a parte onde parafraseio o autor citado neste texto, e apresento minha ideia sobre ser o homem, “o lobo dos lobos”:
Vivemos sob uma infinidade de leis, apesar de transcritas em um código defasado e pouco aplicado, temos regras e instituições normativas e coercitivas com a função determinada de nos manter dentro dos parâmetros legais, nos permitindo construir, conquistar, conviver, questionar, julgar e apenar aqueles que se colocarem de encontro ao estabelecido. Porém isto não tem sido suficiente para evitar que os “lobos” intimidem os homens, e passem a disputar entre si quem é o lobo capaz de horrorizar e subjugar os outros lobos.
Vemos cotidianamente estampadas em todas as mídias, as manchetes sobre lobos destruindo vidas de homens inocentes, vemos lobos tão raivosos que estraçalham crianças para satisfazer sua loucura motivada por sentimentos e necessidades que provavelmente nem “Freud explicaria”.
Nossas instituições não estão sendo suficientes para controlar os lobos, nossas leis já não os coíbem, talvez por crerem que não lhes causarão mal. A violência é, sim, uma característica humana, entranhada em nosso DNA animal, porém éramos animais que se valiam dela apenas em situações extremas, e hoje vemos essa violência manifestada de forma banal, por diversão, perversão e pura maldade.
Alguns homens-lobo exteriorizam sua violência de forma velada, desviando e surrupiando verbas públicas que deveriam beneficiar milhares, mas acabam em cuecas, meias e contas em paraísos fiscais. Outros se valem das armas para humilhar, machucar e dizimar seus semelhantes, externando uma agressividade que deixaria os lobos horrorizados. Vemos então que não basta apenas ao “homem lobo do homem” a dominação para sanar suas carências, ele quer ser o mais forte lobo entre os lobos, impondo suas vontades e suas loucuras acima de qualquer traço de humanidade que o constranja.
Já temi o animal dentro de cada homem, hoje temo o homem dentro de cada animal! Afirmo que ainda não perdi completamente a fé na raça humana, bem como nas leis e nas instituições responsáveis por sua aplicação. Mas digo que é sine qua non à sobrevivência das cidades que nossa legislação seja revista, nossas instituições sejam reformadas e nossos cidadãos se enxerguem como parte da solução para os problemas que os assolam, e não apenas como vítimas deles.
Estamos todos expostos aos lobos maus, principalmente quando aqueles que juraram “proteger e servir” estão de braços cruzados, mas não podemos aceitar apenas o papel de “caça”, pois somos, também, uma parte lobo e, por isso, caçadores. Provavelmente por sermos nós, pessoas de bem, cientes de nossa maior proporção humana, que mantém enjaulada nosso lobo interior, tenhamos mais dificuldade em confrontar o mal com o mal, neste caso acredito que devamos atuar como alcateia, nos protegendo uns aos outros, buscando meios de sobrevivermos em conjunto e nos defendendo daqueles que tentam diuturnamente nos matar, roubar e destruir.
Ainda que o homem continue sendo lobo do homem, não podemos permitir que este lobo cresça e se sobreponha aos outros homens, voltando a ser um animal irracional. Se o lobo está dentro de cada um, como agir para evitar que sejamos dominados por ele? Para evitar que os que o são não se constituam em maioria?

Marcos Marinho
Professor e consultor de marketing
Twitter: @mmarinhomkt
www.mmarinhomkt.com.br

domingo, 21 de outubro de 2012

O que vou ser quando crescer?



Tenho questionado algumas coisas no comportamento de nossa juventude: atitudes ou, na maioria das vezes, falta de atitudes que são preponderantes para o desenvolvimento pessoal e profissional dentro desta sociedade. Tais atitudes, a mim sinalizam, com elevado grau de acerto, como será o amanhã de nosso país, visto que o passar de gerações é inerente à própria vida.
Em minha experiência em salas de aula, conversando com minha esposa que também milita neste front, além de diálogos com amigos e colegas de cátedra, tenho percebido que existe uma distorção perigosa nas “expectativas” demonstradas pelos alunos. Ao falar de expectativas não adentro o mundo das paixões e sonhos românticos, pois acredito serem deveras íntimos e pessoais, tornando-se um campo próprio para os devaneios, erros e acertos. Inquieta-me, e também aos colegas com quem tenho dialogado, os níveis das expectativas que nossos pupilos demostram sobre suas aspirações profissionais. Também incomoda a falta de expectativa com a carreira aparentemente escolhida, que é demonstrada por outra parcela dos discentes.
São comuns as declarações do tipo: “quero ser gerente!” ou “quero ser diretor!”, bem como as tradicionais perspectivas salariais equivocadas: “quero um salário de R$5.000,00 no mínimo!”. Nada contra o “almejar” uma colocação de destaque ou uma remuneração interessante, porém é preciso que os objetivos estejam pautados em metas claras e planos de ação que sejam postos em prática para conquistar estes ideais.
Nesse ponto é que reside minha frustração! Geralmente estas frases, aparentemente otimistas e determinadas, são acompanhadas de comportamentos que as contrapõem. Ao serem questionados sobre seu nível de conhecimento em relação aos mercados em que querem atuar, ou aos requisitos necessários para ocupar o cargo almejado, as respostas são vagas ou nulas. É isso: querem ganhar bem e comandar, mas sem passar pelas etapas que os conduzirão ao status pretendido. Querem ser reconhecidos como diferenciados e especiais, mas sem galgar os degraus que separam o sonho da conquista.
É preciso expor nossos alunos à realidade! De forma alguma frustrá-los os sonhos, mas darmos-lhes as ferramentas e o conhecimento compatíveis com o que encontrarão pela frente ao deixarem os bancos da academia. É imprescindível que entendam como funciona a dinâmica dos mercados, como é importante a humildade e capacidade de se relacionar, a inteligência interpessoal que lhes permitirá iniciar seu networking já nas cadeiras da faculdade, expandindo suas relações por caminhos que certamente lhes serão úteis nas carreiras.
Não podemos considerar normal a apatia frente aos exercícios propostos, as reclamações sobre os trabalhos que lhes são passados, a falta de habilidade para se organizarem em grupos, deixando prevalecer sentimentos menores e que, no “mundo real”, nas empresas onde buscarão seus sustentos, não encontrarão eco, pois terão que conviver com as diferenças de forma compulsória.
Futuros profissionais que não se permitem realizar estágios, por considerarem indigno o valor da bolsa, ou muito distante o local de trabalho, ou por não estarem dispostos a prescindir dos feriados emendados e de seus sábados pela manhã, sem avaliar os ganhos em níveis de experiências e exposição de suas habilidades, demonstram não entender que os caminhos naturais para o sucesso passam pelo esforço, trabalho e dedicação. Ignorando estes fatos, surgem com afirmações do tipo que relacionei no terceiro parágrafo deste texto, muitas vezes apoiados por pais permissivos ou castradores, e/ou ancorados em sobrenomes ou pseudoposição social.
Serve-me ainda de base esta reflexão para expandí-la sobre a atuação de nossos jovens frente à política e às questões sociais, onde pudemos recentemente perceber que também “não estão a fim” de falar disso. Mais uma pena, se avaliarmos que desta geração sairão os futuros profissionais de mercado, gestores, pais e mães, educadores, políticos e executores de todas as funções que dependem da renovação natural.
Admiro profundamente o estudante que coloca seu aprendizado como meta para alcançar seus sonhos, que luta para conquistar seu espaço de forma independente e aguerrida. Acredito nas pessoas que buscam o aprimoramento de forma engajada, participando dos processos e experiências das mais variadas, sem melindres, cheios do desejo de adquirir know-how, e se colocam aptos às oportunidades vindouras.
Entendo que apenas uma pequena parte da real formação de uma pessoa cabe ao professor, boa parte cabe aos seus pais e, nesse momento, faço um a apelo aos pais e mães que lerão este texto: “acreditem, apoiem e eduquem, seus filhos!”. Acredito que todos, independentemente das vantagens ou desvantagens que recebem da vida, temos responsabilidade por nossos atos, por nossas vitórias ou fracassos, não podendo assim franquiar nossos sonhos ou desilusões aos outros.
Sendo assim, faço um último apelo aos jovens que estão lendo estas linhas: “Descubram o que lhes motiva, aceitem as dificuldades inerentes ao percurso, invistam em ser quem sonham ser, mas, principalmente, ajam enquanto é tempo!
Marcos Marinho
Professor e Consultor de Marketing
twitter: @mmarinhomkt
www.mmarinhomkt.com.br

sábado, 13 de outubro de 2012

Eleições 2012 – O que deixamos nas urnas?


É findo o pleito de 2012, em que as cidades brasileiras tiveram a oportunidade de realinharem-se, renovarem-se e até manterem-se do mesmo jeito. O voto popular mais uma vez foi o meio “pacífico” utilizado pela sociedade para manifestar suas opiniões, frustrações e desejos.
Após três meses de campanhas eleitorais, apoiadas em estratégias desenhadas por hábeis profissionais de marketing, ou em alguns casos não tão hábeis assim, os vencedores foram conhecidos no último dia 07 de outubro na grande maioria do nosso território. Alguns embates ainda perduram, pois os candidatos que foram para o 2º turno terão mais alguns dias para convencer a população que num primeiro momento não lhe confiou seu apoio a concedê-lo em definitivo no dia 28 de outubro.
O que me chama a atenção é justamente o que deixamos nas urnas eletrônicas neste ano. Em uma análise geral, podemos perceber que registrados nas maquininhas ficaram não apenas os votos, mas principalmente as impressões e tendências eleitorais que moveram nossos cidadãos neste pleito. Com uma atenção especial para os quase 13 milhões de votos brancos e nulos depositados nas urnas Brasil afora e, em especial aos 18,72% dos votos dos goianienses que foram depositados em branco ou anulados, invalidando quase 140 mil votos que acabariam por formar, caso fossem dados a um candidato, o segundo mais votado para a cadeira do executivo goiano.
Muito se falou durante o período eleitoral sobre a apatia das campanhas e em conseguinte do eleitor que, aparentemente não se engajou nas bandeiras levantadas e assim não engrossou fileiras ao lado dos candidatos propositores. Situação que pode nos conduzir por alguns vieses, me permitindo tecer certas conjecturas a respeito da mensagem emanada das urnas de 2012.
Amplamente divulgado na mídia nacional, o caso “Cachoeira” parece ter levado em sua correnteza não apenas figuras célebres da política goiana, mas também a crença e esperança de boa parte da população. Responsabilizada também, em partes, pela falta de investimento nas campanhas municipais, o escândalo com o contraventor anapolino forçou muitas mudanças de estratégia por parte dos envolvidos nas campanhas, bem como deixou a população com um desejo de vingança que, de certa forma, foi expresso pela suspensão do voto em figuras que tiveram manifestas relações com o bicheiro.
Outro evento que também serviu de munição em algumas campanhas foi o julgamento do “Mensalão”, o que expôs sobremaneira as entranhas do Partido dos Trabalhadores, tornando réus, e atualmente condenados, alguns dos principais nomes da sigla. No entanto este fato irrompeu com impactos díspares nos segmentos da sociedade. Enquanto alguns candidatos tentavam usar o fato para atacar os oponentes, a população o interpretava de diferentes formas, passando pela absolvição do partido, mas aceitando a condenação dos envolvidos, a uma tentativa de negação e imputação de tudo a algum tipo de golpe midiático direitista. Chego a pensar que o povo, em muitos casos, se entregou ao sentimento de redenção estampado nos mantos pretos dos juízes do supremo, que condenavam indiscriminadamente os envolvidos, abstraindo de siglas e regozijando-se na punição dos considerados culpados. Essa última opção, a meu ver, traz em si uma dose de esperança que pode em muito transformar o desânimo ressaltado em toda análise política feita ultimamente, desembocando em vários desdobramentos futuros.
Em minha análise do pleito de 2012, avalio que houve muitos erros de campanha, sendo por estratégias equivocadas e/ou linhas de comunicação que não alcançaram o coração do eleitor. Vivemos um momento econômico e social onde o acesso à informação tornou-se mais fácil, nossa sociedade foi remodelada a partir dos padrões classistas, expandindo-se dentro de um espaço onde lhe é permitido consumir e exigir formas e conteúdos diferenciados.
É mister aos políticos e profissionais que atuam na área reavaliar suas considerações sobre o comportamento dos eleitores, suas necessidades, sua sensibilidade aos habituais canais de propaganda política, bem como seu nível de ceticismo sobre o que lhes é proposto e  sua suscetibilidade à opressão financeira ou moral.
Acredito que saímos deste pleito melhores do que entramos!
Haverá um período de realinhamento e articulações essenciais aos partidos e figuras políticas, para que possam se preparar par enfrentar os novos eleitores que surgirão em 2014. Teremos também neste entre pleitos uma evolução da sociedade que, mesmo ainda não compreendendo toda sua força ou o efetivo reflexo de suas atitudes, manifestou-se através do voto anulado ou branco de forma consciente, ainda que não eficaz juridicamente e, por este motivo, não me parecer efetivo, a manifestação dos desiludidos foi ouvida por todos os envolvidos na política e desta forma será muito considerada na elaboração das estratégias para as próximas campanhas.
Deixamos nas urnas de 2012 muitas esperanças e desesperanças, uma enorme e inconteste mensagem de que as coisas precisam mudar neste país, uma sinalização de que o povo começa a se movimentar em direção ao boicote eleitoral e por isso exige ser tratado com mais ética, transparência e honestidade.
Espero que até as próximas eleições não haja uma hibernação da consciência política do nosso eleitor, para não deixar ao esquecimento o papel de balizador dos próximos resultados que poderão de vez mudar nossa história.
Marcos Marinho
Professor e Consultor de Marketing
@mmarinhomkt /www.mmarinhomkt.com.br

domingo, 23 de setembro de 2012

Geração Miojo – O paradoxo na quebra de paradigmas.



A evolução humana nos trouxe a um momento ímpar na história da humanidade, desaprendemos a lutar pela sobrevivência da espécie. Durante toda marcha do Australopitecos ao homem de Cro-Magnom, e das caminhadas a passos largos do Homem moderno, sempre mantivemos o ímpeto natural da sobrevivência, aquela centelha que não nos permitia acomodar facilmente, que nos impulsionava à conquista e ao desbravamento de lugares, coisas e ideias.
Ao logo de sua jornada evolutiva o homem foi desenvolvendo meios de otimizar recursos, de reduzir a carga de esforço necessária para sanar demandas físicas, emocionais e sociais. Com o aparelhamento tecnológico, veio a dominação de tantos artifícios para facilitar nossas vidas, que teoricamente deveriam nos proporcionar uma economia de energia física e mental capaz de nos permitir viver por séculos!
As gerações passadas quebraram tantos paradigmas, como - expectativa de vida, suscetibilidade a certas doenças, preconceitos, dogmas, opressão econômica e social, modelos de governos, padrões familiares, tabus sexuais, bem como moda, música e costumes -, que aparentemente pouco sobrou para as novas gerações. As grandes conquistas políticas já foram conseguidas, a inserção da mulher na sociedade, com direitos iguais aos dos homens, já é entregue às garotas de hoje ao nascerem. Num país sem guerras externas e civis como o nosso, a quebra de tantos paradigmas acabou se tornando um paradoxo.
Com tantas liberdades praticamente natas aos brasileiros de hoje, com tanta oportunidade educacional, e neste momento peço permissão para excluir os miseráveis de nosso país, pois ainda são muitos, para referendar minha tese a partir da maior parte de nossa pirâmide social, as classe C,B e A, era de se esperar que nossa juventude não tivesse limites para sua criatividade, para sua atuação aguerrida junto aos movimentos sociais e políticos, já que são os únicos que ainda atuam diretamente sobre suas liberdades e oportunidades de conquista.
No entanto o que vemos é uma massa alienada de jovens hipnotizados por tecnologias e conteúdos midiatizados, onde pouquíssimos conseguem produzir algo relevante para a sociedade, e a grande maioria se alimenta dos produtos instantâneos, com pouco sabor e sem nutrientes, fornecidos pela nova “indústria cultural”, tornando-os viciados no imediatismo superficial e desconhecedores da profundidade conceitual libertadora. Acredito que Adorno e Horkheimer não imaginavam que, em menos de um século, a tecnologia potencializaria tão grandemente, através da internet, a alienação e o desapego do conteúdo.
Não sou um radical preso ao passado, condenador das tecnologias e das facilidades advindas delas, sou um questionador dos modelos atuais seguidos pela juventude. Questiono o mau uso da tecnologia, o distanciamento das pessoas, o não envolvimento com as questões sociais, e a renegação das conquistas políticas, feitas a base de muita luta, que hoje são encerradas em campanhas pelo desprezo ao processo democrático.  A sociedade atual, formada pelas gerações de “fast-food” e redes sociais, “educadas” por instituições de ensino que mais parecem locadoras de cadeiras, onde os inquilinos recebem um certificado ao final do contrato, não consegue maximizar seu potencial criativo e transformador, e está sorumbática, alheia aos processos políticos, e as carências sociais de seu próximo.
Passo a entender que, após tantas conquistas, tanta evolução, nossa sociedade está se tornando fraca, preguiçosa, individualista e medíocre. Quem sabe o homem da atualidade não devesse ser conhecido como “Homem miojos”, para caracterizar um povo sem gosto, sem sustância, mas muito fácil de preparar e consumir.
Marcos Marinho
Professor e Consultor político
Twitter: @mmarinhomkt
www.mmarinhomkt.com.br

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Onde estão nossos heróis? – Considerações de um eleitor goiano


O cenário político goiano se apresenta em 2012 de uma forma ainda mais insossa do que em pleitos passados. Escuto em meu caminho cotidiano, nas ruas e salas de aula, nas redes sociais e conversas online que estas eleições carregam sobre si a marca do descrédito.
Formulo pelo menos dois ou três argumentos convincentes para explicar esta relação desanimada e pouco receptiva entre eleitores e campanhas eleitorais. A eliminação do “espetáculo eleitoral”, com supressão de showmícios, redução das doações de campanha que possibilitavam o assédio ao eleitor, restrição dos materiais de publicidade eleitoral e uma utilização equivocada das tecnologias online deixam o interesse dos votantes ainda mais distante das mensagens dos candidatos. Vale ressaltar o despreparo de grande parte dos candidatos que, em muitos casos, buscam nas replicações equivocadas de modelos cômicos, utilizados em pleitos passados, a tentativa de repetirem façanhas.
Porém, a possibilidade que me surge como mais autêntica é de que nossa população entrou em um torpor fomentado pelo desânimo advindo da decepção, da perda dos pseudo-heróis que bradavam suas palavras de ordem e repúdio à corrupção e em favor da justiça. Acredito que a não indexação da imagem dos atuais candidatos aos modelos de justiça e proteção que nossa sociedade tanto espera encontrar em seus governantes afasta ainda mais o coração do eleitor de sua missão democrática, votar consciente.
Após a derrocada do grande baluarte da justiça, o ex-senador, a exposição dos tentáculos mafiosos que envolveram quase todas as esferas do poder goiano - indo da boca do lixo aos salões palacianos e máquinas da imprensa nacional - o eleitor se quedou apreensivo e frustrado. Este mesmo eleitor ainda teve que assistir à indecisão dos partidos em lançar suas candidaturas principais e foi impactado pela atitude nada estratégica de uma câmara de vereadores que não soube esconder sua sanha por mais dinheiro público, votando na surdina seu generoso aumento de 35%, o que serviu como estocada no coração deste povo submetido a acréscimos ínfimos em seu salário mínimo anualmente.
Não podemos esquecer ainda da montanha russa de acusações e ataques sofridos pelo governador do estado e pelos principais nomes da política goiana, não importando suas siglas, seus atuais momentos políticos ou de saúde, que mantém cinzento os céus goianos.
Cachoeira, Mensalão, Pizza, são palavras constantes no dia-a-dia dos brasileiros, em especial dos goianos, e que ora apontam para a tradicional pilha de escândalos passados e não resolvidos ora, mesmo que de lampejo, apontam para justiça. Em falando de justiça, nossa “Liga da justiça”, composta pelos “Excelentíssimos” de capas pretas, que atualmente polarizam as expectativas dos eleitores quanto à execução da lei sobre boa parte dos escarcéus que soterram a fé e a esperança democrática, não percebem o quanto são responsáveis pelo sabor amargo que este pleito deixa nas milhares de bocas espalhadas por este “rico chão brasileiro”.
Sem heróis nos palanques eleitorais, voltamos nossos olhos aos salões da justiça, na esperança de ver emanar dali um elemento que nos auxiliará a mudar a política nacional: o medo. Medo da punição, que deve ser incrustrado no coração dos maus políticos, fazendo-os desaparecer das “casas do povo”, dos palácios e palanques.
O pleito eleitoral deveria ser recebido com expectativa e alegria pelos cidadãos. A possibilidade de influenciar os rumos de sua cidade, estado e país deveriam ser, por si, motivadores de envolvimento, pesquisa, debates sobre as melhores opções. Não vejo apenas na obrigatoriedade do exercício de civismos o motivo pelo desgosto estampado nas caras dos eleitores ao chegar o período eleitoral.
Responsabilizo a falta de educação, falta de ensinamentos sobre o processo democrático, sobre direitos e deveres, sobre funções e poderes que regem nossa política. Ademais culpo veementemente a mim e aos tantos outros pertencentes às classes pseudo-intelectuais, formadores de opinião, condutores da mídia, entidades de classe e religiosas, professores, jovens universitários e movimentos sociais, que nos encolhemos frente à opressão sofrida por nosso povo e não cumprimos nosso papel moral de preparar nossas crianças, nossos jovens, para assumir o comando deste país, dando-lhes bons exemplos e ensinamentos éticos.
É injusto, para com as futuras gerações, desacreditarmos a democracia, a política e toda humanidade, já que usamos como referencial apenas nossa própria covardia! Como disse Dalai Lama: “Seja a mudança que você quer ver no mundo!”.

Marcos Marinho
Professor e consultor político
twitter: @mmarinhomkt

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ELEIÇÕES 2012: Cenário político goiano - Setembro/1.


Após rodadas e mais rodadas de pesquisas, os números começam a sinalizar tendências das definições destas eleições, que também impactarão no pleito de 2014!
Com pouquíssimo sobe-e-desce de candidatos nos gráficos apresentados nos jornais e tv’s, o pleito 2012 tem sido chamado de “morno”, “sem graça”, e deixado para o eleitor o rótulo de “apático”.
Apenas um personagem aparece fortalecido nessas eleições, “O VOTO INVÁLIDO”! Chamo de voto inválido aqueles nominados de “Branco” e “Nulo” que, como já sabemos, não são contabilizados na hora de definir o vencedor, mas que tem gerado algumas questões:
Serão os atuais candidatos de Goiânia tão ruins a ponto de não servirem como opção aos eleitores?
Será que o eleitor goiano conhece a fundo as biografias e propostas de todos os candidatos, e não satisfeito com todas, decidiu excluí-los de sua lista de merecedores de crédito?
Será que o eleitor, decepcionado pelos escândalos recentes, decidiu não se envolver mais com a política?
Temos várias possibilidades para nos ajudar a compreender uma eleição onde quase todos os candidatos perderiam em número de votos para o voto “branco e nulo”.
Temos algumas opções para mudar este cenário, mas nenhuma será de curto prazo, e todas dependem do envolvimento individual dos brasileiros. Podemos sonhar com um país mais justo, quando pudermos escolher o melhor e não o “menos pior”, para assumir a direção de nossa cidade, estado e país. O que não podemos em hipótese alguma é abandonar ou relegar a outros o nosso direito de escolher!

Marcos Marinho
@mmarinhomkt
www.mmarinhomkt.com.br